Antes de demitir alguém, me faz uma pergunta.

Quando alguém do time erra de forma recorrente, o instinto do dono é pensar que o funcionário é ruim. É natural. É humano. E quase sempre está errado.

Não porque todo mundo é bom — mas porque o diagnóstico foi feito na ordem errada.

O instinto mais comum — e o erro

A maioria dos donos de empresa reage ao erro recorrente com uma decisão sobre pessoas: chamar atenção, advertir, demitir, contratar alguém "melhor".

Mas se o problema é sistêmico — se não existe processo, se o cargo não tem descrição clara, se as metas não foram comunicadas com objetividade — a próxima pessoa vai errar no mesmo ponto. Com o mesmo resultado.

Você troca o ator. O palco continua o mesmo.

A pergunta que muda o diagnóstico

Quando alguém me conta sobre um erro recorrente na empresa, eu faço uma pergunta antes de qualquer outra coisa:

Se tivesse um processo claro pra isso, esse erro seria possível?

Se a resposta for não — o problema é de estrutura, não de pessoa. E estrutura se constrói. Pessoa se responsabiliza dentro de uma estrutura que permite responsabilização.

Sem processo documentado, cada pessoa faz do seu jeito. Sem descrição de cargo, cada um prioriza o que parece mais urgente. Sem critérios definidos, cada decisão é tomada do zero.

Sistema vs pessoa

Isso não é uma defesa de que todo mundo é bom e ninguém pode ser responsabilizado. É uma questão de diagnóstico correto antes de uma decisão que tem impacto humano real.

Demitir alguém que errou dentro de um sistema falho não resolve o sistema. Resolve o sintoma — por um tempo. Até a próxima pessoa errar no mesmo ponto.

A pergunta não é "quem errou". É "o que permite que esse erro aconteça repetidamente".

A ordem que importa

Primeiro você monta o sistema. Depois você avalia as pessoas dentro dele.

Se a resposta for não pra qualquer um desses, o problema não está na pessoa. Está no sistema que a cerca.

Essa ordem importa mais do que parece.

Se você está enfrentando problemas recorrentes no time e quer entender o que está gerando — a conversa inicial é gratuita.

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